Design + Social Media

Algumas histórias só fazem sentido quando ampliamos nossa bagagem cultural, reforçando o acervo de referências que nos servem de filtro à interpretação.

Um episódio dos idos da oitava série do fundamental agora faz sentido pra mim: na aula de educação artística, a professora presenteou cada aluno da classe com uma espátula e uma barra de sabonete. O desafio era transforma-la em uma escultura criativa e simples.

A turma, desconfiada, sucumbiu e acordou unanimemente que todos fariam pequenos barquinhos. O desafio virou tema de casa e, no meu modelo escorregadio, cravejei boias, remos e cordas com pedaços de outros sabonetes “emprestados” do banheiro de minha mãe. Ficou colorido, bem acabado… eu gostei!

No outro dia, cada qual a postos com seu barquinho, as expectativas eram altas por um 10. Eu tirei um 9 que, à época, não condizia com o esforço aplicado. O 10 quem levou foi uma colega cujo barquinho, monocromático, nem era tão embelezado. Entretanto, a escultura repousava sobre um azulejo coberto de sabão em pó – obviamente outro tipo de sabão e, portanto, alinhado com o objetivo – organizado como uma bela alusão às ondas do mar.

No fim das contas, acho que essa metáfora parafraseia com qualidade a intenção do design aplicado às mídias sociais: o leitor espera a mensagem, sim, uma resposta à curiosidade que ele fomenta, mas quer recebe-la envolta em criatividade, em beleza, em um storytelling que contextualize, emocione e provoque. Ele quer um blur de sabão em pó amparando o barquinho da sua marca…

 

 

Advertisements