Sobre a compreensão

Compreensão era a senha para acessar o sistema no computador de uma antiga diretora, no meu primeiro estágio. Desde então, decorei que se escreve com “S”. E que, antes de escrever, é melhor raciocinar para não errar, seja a senha, seja a colocação…

Sobre o Boticário, o Conar e todos os “afins”: em outros tempos, já li a Bíblia quase de cabo a rabo. Existe uma singela profecia (Mt 7:1) para todos os aqueles, como fariseus, julgam alheias escolhas de amor. Não julgueis para… vocês sabem o resto.

No dualismo de qualquer fé, o mandamento maior para obtenção da recompensa traz na receita mais compreensão e menos ódio. Mais “amem uns aos outros” (Jo 13:34) e menos “deem o troco” (Mt 5:39) aos que são diferentes. O alegórico inferno dantesco condena com maior ardor aqueles que segregam e provocam a ira do que os outros, os que não seguem os desígnios divinos.

Metáforas são uma das figuras de linguagem mais desafiadoras à compreensão ocidental. É uma lástima que cada vez mais ouvintes passivos atribuam crescente atenção a ignorantes pastores midiáticos e voltem suas costas ao pensamento crítico filosófico. Mal sabem que sociologia e filosofia têm infinitamente mais a agregar aos evangelhos do que a bibliografia inteira de charlatões da fé, cegos em sua inteligência e egoístas em sua diaconia (Lc 11:46).

Listo todos os versículos porque destino este desabafo, sobretudo, àqueles que mais amo. Atualizem estas leituras e não busquem a defesa, o contra-argumento. Apenas construam seu próprio discernimento compreensivo e guardem-no para vocês. (LEWIS, C.S. 1960, Os quatro amores). O mundo continuará girando, independente de sua opinião. Ou da mina.

Ainda que o foco seja a onipotente vontade de Deus, ele próprio daria cabo de dirimir a problemática da diferença cercando o templo contra as investidas mundanas (Mt 23:4) ou ressuscitando o messias repetidas vezes para sobrepujar e evidenciar seu poder. Em vez disso, foi o sacrifício mediante si mesmo que calou todo o resto para que possamos viver em paz (Hb 9:26). Essa é a fórmula: tome o que há de bom, releve o pecado alheio, respeite acima de tudo em favor da paz coletiva. É válida para senhoras idosas que não podem assistir ao beijo de duas mulheres na novela das nove e para homoafetivos que banalizam a questão numa demonstração lasciva em direta resposta provocativa.

Em lugar de dilacerar preconceito e provocar dor ao próximo, desconhecido na maioria das vezes, seja crente ou seja gay, invistam seu tempo escrevendo um e-mail de carinho para um familiares que mora longe, liguem para conversar sobre as receitas do feriado. Distribuam mais amor e deixem todo o resto para o tempo

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