Clientes, compreendam esse recado:

O tempo tem sido um dos maiores motores de crises profissionais na modernidade líquida. Honestamente, tenho tentado congelá-lo um pouco pra ver se diminui a fluidez e pára de escorrer por entre meus dedos como se, antes de mais nada, não fosse meu.

E eis que numa calorosa tarde regada à ar condicionado e desejos de uma passagem para qualquer experiência invernal, me deparo com esse vídeo:

Clientes, de todo o coração, assistam e compreendam. Se não deu pra entender o inglês, a moral é esta: uma agência húngara desafiou crianças a completarem um desenho. Com prazo de 10 segundos, a solução óbvia e evidente era a resposta para uma fuga ao erro: todos desenharam relógios. O curto período não permitia o desenvolvimento de uma solução diferente. O exercício foi repetido, agora com prazo de 10 minutos. O resultado explicou o ponto-chave da questão: surgiram pipas, tomatas, bússolas, pontos cardeais, ursos e opções realmente diversificadas. A criatividade resulta da possibilidade de parar para pensar. Confrontar possibilidades e esmiuçar alternativas para eleger com sabedoria a melhor, não a mais óbvia.

O vídeo foi produzido por uma agência húngara para explicar o comparativo entre trabalhos com diferentes prazos de briefing e execução. Quer pra ontem? Ok, é possível fazer com qualidade algo bem acabado, mas não algo realmente criativo, novo. Criatividade é ter tempo pra misturar referências, fazer um mix de tudo que é legal e tentar converter em uma fórmula aplicável para qualquer tipo de público, para mensagens bem sucedidas, bem construídas e bem assimiladas.

Domenico de Masi tratou muito sobre o assunto na obra “Ócio criativo” (você pode baixar o livro aqui). Perdemos a habilidade de controlar nosso tempo e nos rendemos a um processo de produção seriada, quase automático, mas a inovação e a criatividade não são maquinadas ou programáveis. São humanas, e humanas que são, surgem apenas quando valores de bem-estar e felicidade estão calibrados de maneira correta no cotidiano.

Brinquei aqui na agência depois que assistimos ao vídeo: “Quer uma boa ideia para o Natal? Nos procure na próxima Páscoa!”. Claro, o intervalo não precisa ser tão grande assim, mas tenho certeza que você captou a mensagem.

Estamos no controle de nossas decisões?

 

Uma bagagem de lindas histórias

Na Terra Vermelha, um novo cliente trouxe um novo desafio: produzir um VT que contasse a história de uma escola, com o detalhe que a construção deveria ser colaborativa e a linguagem visual infantil. Redigimos o roteiro, traçamos o storyboard e, quando percebemos que precisava-mos de mais elementos para contar tantas lembranças, recorremos aos talentos dos alunos. Os pequeninos desenharam as personagens e objetos cênicos, que foram animados digitalmente entre fotos e depoimentos de pessoas importantes nessa história.

Roteiro e edição técnica by Jean P.J.

A topologia da criatividade

Detalhe lá no final: apenas 11% das ideias criativas surgem quando estamos sentados em uma cadeira no escritório. Só 11%! Hora de buscar novos brainstormings na rua!

Lição de ônibus lotado para pessoas “tradicionais”

O observava-mos do outro lado do corredor. Tentando esconder a indelicadeza de reparar em alguém, todos naquele ônibus o observavam. De canto de olho, pelo reflexo noturno da luz espelhada no vidro, cruzando despretenciosamente antes de desembarcar com um olhar de reprovação disparado sem discrição.

Haviam rostos de todos os tipos. Uma senhora de idade que, a julgar pelas fartas sacolas assentadas no banco vago ao lado, parecia voltar das compras, e um homem moreno, cabelo bagunçado pelo vento e sapatos de couro surrados por algum tipo de trabalho pesado: seus rostos balançavam de um lado para o outro em sinal de reprovação. Pareciam menos evidentes disfarçados pelo embalo do veículo, mas estavam lá, discordando do que viam.

Duas meninas quase escondiam-se nos últimos bancos do ônibus, provavelmente na tentativa de minimizar risos adolescentes que misturavam curiosidade, censura – certamente ensinada pelos pais – e um resto de inocência ainda não dissipada pelos dias de hoje. Seus olhos escondiam um pouco de preconceito por ele.

A campainha soa. O ônibus para logo adiante e desce um casal de estudantes, mochilas grandes e alguns livros de ciências e matemática entre os braços. Sua conversa é tão animada que lhes é imperceptível o foco de toda atenção dos demais.

Antes que o ônibus partisse, pela porta central sobe uma mulher carregando uma grande bolsa e um bebê no colo. Ela percebe que não haviam assentos disponíveis. Os demais passageiros também percebem isso, mas o trajeto segue sem que ninguém expresse sinal de gentileza ou colaboração. Em horas assim, cortesia, veja só, lembra mais uma palavra associada à presentes promocionais em lojas de liquidação do que a caridade e amistosidade pelo próximo.

Ainda observado pelas pessoas, o jovem de shorts curtos, camiseta solta, cabelos e sobrancelhas nitidamente made in salão de beleza se levanta, busca a mulher com o bebê nos braços e os conduz até seu lugar, ofertando-lhes a comodidade e segurança que antes o protegiam de olhos preconceituosos.

- “O que parece mais fora de contexto agora?” – pergunto para uma amiga próxima.

Uma cultura praticamente cegada por hábitos e dogmas é realmente incapaz de aceitar com fraternidade aquilo que lhe é incomum, que difere em valores e conceitos. É, todavia, a mesma cultura que prega peças em si mesma, incentivando posturas que blindam à visão, tornando-as lastimavelmente habituais e invalidando gestos outrora tão importantes, como a gentileza, a educação e o respeito.

- “O que parece mais fora de contexto agora?”, permaneço refletindo, enquanto aquele jovem julgado como diferente transparece o papel do bonzinho e o moralmente correto aparenta ser cada vez mais mau…

 

Cinismo puro

Ontem, no espírito “vamos citar as fontes por ser politicamente correto”, fiz referência a um blog que, hoje, descobri ser muito legal.

www.cinismoilustrado.com

É do prof. Salles, da Miami Ad School. O cara, pelo jeito, é muito bom. E no blog ele exerce umas das mais apuradas artes da linguística, na minha opinião: o cinismo. Por definição, cínico é alguém que perde a vergonha de dizer algo, despudorado e, em diversos momentos, debochado. Particularmente, o cinismo medido é uma boa indireta para muitos meandros do dia-a-dia.

O blog, batizado de “O espírito dos cínicos”, traz na arte de infográficos inteligentes diversas ironias para reflexão e debate. Depois de uma monografia inteira estudando inforgráficos e sua estratégia jornalística para difusão do conhecimento, de Dondis à Santaella, curto muito esse tipo de recurso.

Aí embaixo, “O xadrez moderno”.

Angry Birds de verdade

Depois de uma ID fake e horas de “iuhuuuu”, conseguir zerar meu mais novo vício: Angry Birds for iPhone. É indescritível o prazer de arremessar pássaros contra porcos verdes e matar os suínos com estratégia e diversão. Enquanto jogava, por varias vezes eu bem que pensei: “bah, queria trabalhar com uma conta dessas, realizar algum job bem maluco pra chamar a atenção”.

Os caras da T-Mobile e da Rovio em Barcelona foram mais rápidos:

Muito divertida a ação!

Publicidade pra não fazer nunca

“As 20 coisas que a gente mais odeia na publicidade”, obra do docente da Miami Ad School Mexico, Salles, do blog Cinismo Ilustrado. Gostei, e tacitamente balancei a cabeça em sinal afirmativo para muitos dos itens abaixo. Mas o que me vez sorrir, quieto, daquele sorriso de absoluta concordância, é a mensagem no topo: “objetivo – que os alunos distinguam algumas coisas que as pessoas odeiam na publicidade para que não as façam nunca!”.

Foram poucas as lições na faculdade que disseram claramente o que não devíamos fazer. Eu sei, isso é papel do mercado, mas a criatividade do professor aí é legal!

Simples é o novo super

O primeiro comercial oficial do Twitter bombou hoje na net, nas redes sociais, nos blogs… e ele é o máximo. É como aquela idéia que, nas agências e brainstormings, a gente sempre procura: super barata, super fácil e com um grande impacto conceitual – que, no fim das contas, é o que mais vale.

Nunca atuei no mercado de uma grande cidade, mas cotidianamente dá pra perceber que aqui no interior os clientes tem a mão cada vez mais fechada o os objetivos cada vez maiores. Dar a sorte de encontrar aqueles que apostem em idéias inovadoras e materiais que surpreendam pelo diferente, pela interação e pela experiência é quase “o pote de ouro no final do arco-íris”. Convencê-los de trocar o tradicional pelo novo é ganhar na mega-sena. Conseguir uma sobra pra chamar de “lucro” entre o briefing e o projeto final é o desafio.

O que tenho pensado com cada vez mais freqüência é que idéias simples como essa do Twitter são as melhores para os dois lados: menos investimentos do cliente, mais rentabilidade para o cara do marketing.

Pense diferente

“…porque as pessoas loucas o suficiente para acharem que podem mudar o mundo são as que de fato conseguem!”

Aperta o play e chora!

Apud Marketing na Cozinha:

“3 amigos, 44 dias, 11 países, 18 vôos, 38 mil milhas, um vulcão em erupção, 2 câmeras e quase um a terabyte de conteúdo… tudo isso transformou-se em 3 vídeos, MOVE, EAT and LEARN. Aperta o play e chora!”

Curtas que não me saem da cabeça e outros que conheci hoje

Vez por outra, curto reclinar até o limite do encosto da cadeira, cruzar os braços, apagar as luzes e apertar o play. E seguidamente, no YouTube, perdido no tempo entre o almoço e qualquer hora pra voltar ao trabalho, acabo assistindo esses curtas-metragem. Não lembro quando os conheci… e apesar de não tê-los guardados entre os favoritos, não esqueço deles… Sim, também quero fazer um curta…

 

E esse eu conheci hoje…

Ok, de volta ao trabalho.

Um intercâmbio na Rússia?

O blog da Zupi publicou hoje uma postagem muito legal: o fotógrafo Andrew Ozmn estava andando na Rússia e, no meio de uma floresta, encontrou uma casa abandonada do século 19. Toda entalhada à mão, os detalhes impressionam em cada ângulo diferente.


Mais fotos aqui.

Nessas horas dá uma vontade ainda mais louca de comprar uma Nikon e fazer a mochila… =D

Filosofia sobre o pertencimento

Gosto muito de uma frase que ouvi, certa vez, em uma música daquelas que rodam sem descanso no iPod. “Find somewhere I belog to”. Algo como “encontrar o lugar à que pertenço”. Pra mim, é praticamente a justificativa de uma jornada.

Não precisa nem me conhecer muito bem pra perceber que minha casa é o mundo. Desde, hum… quando nasci, não consegui cash pra ser o andarilho almejado, sem lenço e sem documento. Mas vídeos como esse, aí embaixo, fazem a gente pensar em até que ponto precisamos rodar o mundo pra fazer parte dele.

Não sei a resposta. Tirar a etiqueta e asusmir um “lar” ou se lançar de corpo e alma nos trilhos pelo sabor da surpresa de onde chegar? Quero descobrir. Preciso…

Rhythm of Love

Passei o dia inteiro ouvindo essa musiquinha grudenta e maravilhosamente viciante. Mesmo de olhos abertos, da pra sonhar com uma viagem, um lugar diferente… uma praia com amigos e nada mais que o sol. Sim, logo, please…

Everything is a remix

From: http://www.everythingisaremix.info

Pra aproveitar a oportunidade

Acho o máximo as campanhas ou ações que se aproveitem de um meme ou fenômeno efêmero pop pra divulgar uma marca ou ideia. Mais ou menos o clima de “já que tá todo mundo falando disso, vamos entrar na onda também”.

Entrando no espírito quase de um viral, fica até mais fácil ampliar o alcance de uma ideia se ela se insere quase que automaticamente na conversa de todo mundo. Como fez a Axe:

Pois é… 2012 chegando e o apocalipse Maia praticamente batendo à porta. Feliz fim do mundo pra você!

Evolucionismo de um publiciOtário

Curti muito o infográfico aí embaixo… veritá ipsis literis!

Eurovision Review

Na semana passada aconteceu em Dusseldorf, na Alemanha, a edição 2011 do Eurovision, o maio concurso de música da Europa. O espetáculo foi incrível e no site www.eurovision.tv dá pra assistir ele inteiro.

Daí fiquei curioso: resolvi pesquisar no YouTube os vencedores das edições anteriores e encontrei um resumão desde a primeira edição, em 1956. É divertido ver a evolução de som, vídeo, a moda, os estilos que marcam cada década…. minha mãe vai adorar os 80′.

Fé e cor

Penso em tanta coisa quando minha mente associa as palavras COR e FÉ a esse vídeo que, por hora, é melhor deixá-las guardadas no pensamento.

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